Às vezes brinco com a Simone, minha esposa, pois quando a ouço conversando com alguém, me impressiona a freqüência com que ela fala no meu nome. Então pergunto: “O que você tanto fala de mim?” Ao que ela me responde: “Eu não falo de ti, eu falo em ti”. Provavelmente eu nem perceba o quanto também falo nela quando converso com outras pessoas. Como a Bíblia diz, “somos uma só carne”, portanto é normal falarmos com tal naturalidade dessa pessoa tão especial em nossa vida.
Sim, o quanto falamos em determinada pessoa revela o grau de importância que ela ocupa em nossa vida. É a mãe que fala do filho, a avó que fala do neto, a moça que fala do rapaz, o rapaz que fala da moça e por aí à fora. Também os assuntos que falamos revelam nossas prioridades. Jesus definiu essa questão de maneira bem simples: “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” – Mateus 6.21. E ainda: “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração” – Lucas 6.45.
Um amigo que tem freqüentado nossas reuniões contou-me que ficou preocupado quando sua esposa visitou nossa igreja pela primeira vez. Quando já passadas quase duas horas e meia ela chegou em casa, perguntou-lhe: -“Onde você estava até agora?” -“No culto”, ela respondeu. Ele ficou impressionado e curioso em saber o que havia nesse dito culto para demorar tanto tempo. Então, na semana seguinte veio conferir pessoalmente e qual foi a sua surpresa ao perceber que aquelas duas horas pareciam haver passado rapidamente.
Há algumas pessoas que de fato acham exagero um culto demorar tanto tempo. Mas em nosso caso não é propriamente um culto e sim uma celebração. Celebramos aquilo que amamos e, quando o amor de Deus invade nossos corações o tempo sempre é muito escasso para fazer tudo aquilo que gostaríamos.
O Rei Davi definiu assim a experiência da adoração coletiva: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre” – Salmo 133.1-3. Não sei se você está familiarizado com as expressões e as figuras utilizadas nesse Salmo, mas posso lhe garantir que elas traduzem da melhor maneira possível ao salmista, aquilo que para ele era praticamente indescritível. Talvez alguém compreenda melhor esse sentimento, se dissermos: “Como é bom e agradável os amigos se reunirem para assistir a uma partida de futebol do time do coração”. Veja: 45 minutos de jogo, mais 15 de intervalo e mais 45 minutos, não somam exatamente duas horas?
Não estou defendendo a idéia de que um culto deva ter demorado para ser bom. Não! Tempo e qualidade podem ser coisas diferentes e cada igreja possui um jeito de se expressar, uma maneira de ser e de cultuar a Deus.
O que eu quero dizer é que quando abordamos alguém a respeito do Evangelho, frequentemente ouvimos a seguinte resposta: -“Eu cumpro os mandamentos”. Mas se perguntamos qual é o primeiro mandamento muitos nem sabem responder. Não sabem por que de fato não amam a Deus e não O amam por que não O conhecem. Amor exige conhecimento, dedicação e tempo, porque amor é relacionamento!
Prezado leitor: Você quer saber se ama a Deus? Então veja o espaço que Ele ocupa nas suas conversas e o tempo que de alguma forma você dedica a Ele nas 168 horas da sua semana. É um teste muito simples, que pode mudar sua vida!