| EM CUMPRIMENTO DO DEVER | 25/09/2009 | Imprimir | Pr.Armando Paulo Castoldi
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Até que ponto temos o direito de ser neutros diante das realidades que nos cercam? Toda ação provoca uma resposta. Ficar passivo diante de algum fato não significa ficar fora da realidade que a ação produz. Vivendo em sociedade, nos tornamos inevitavelmente participantes de tudo o que nos cerca. Não reagir diante de determinadas circunstâncias muitas vezes é a pior resposta. Se todos se calam diante das coisas erradas, quem acabará falando mais alto?
Nem eu nem você provavelmente tomaríamos sequer conhecimento da existência de Maria Denise Bandeira, vice-diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena, Vila São Tomé, Viamão-RS. No entanto, nos últimos dias ela ocupou um imenso espaço nos meios de comunicação de todo país e certamente de boa parte do mundo. A razão é simples: Ela decidiu reagir a uma ação de vandalismo da parte de um aluno.
Depois de um grande mutirão que durou semanas, onde professores, pais e alunos uniram suas forças e recursos para pintar o prédio da escola, um dos alunos que sequer participou do mutirão entendeu que tinha o direito de pixar as paredes recém pintadas de sua própria sala de aula.
A veiculação da notícia, num primeiro momento carregava uma intenção óbvia: A condenação da atitude da professa, que obrigou o dito aluno a refazer a pintura em meio à zombaria dos colegas, expondo-o assim ao ridículo.
Apesar do alegado excesso e da falta de sensibilidade na forma como a correção foi aplicada, Maria Beatriz está sendo absolvida pela opinião pública. A razão é simples: Ela teve a coragem de reagir, teve a coragem de tomar uma atitude, teve a coragem de enfrentar um adolescente rebelde. Os pais, pela própria reação manifestada na imprensa, não teriam a coragem de fazê-lo. A professora o fez. Parabéns!!!
Mas a questão é: Qual é o preço que ela irá pagar por sua atitude? Penso que além de sofrer uma punição de caráter disciplinar em sua própria instituição, deverá enfrentar uma ação cível por dano moral da parte dos pais do adolescente. E ainda que a opinião pública a absolva, é bem provável que a Justiça a condene.
Esse infelizmente é o preço que estamos pagando por uma inversão radical de valores em nossa sociedade que afeta absolutamente todas as nossas instituições. Cada vez mais os direitos individuais irão se sobrepor aos direitos coletivos. Nessa linha filosófica trazida pelo humanismo ateísta, ou em linguagem mais clara, “Direitos Humanos”, o ato de quem se defende é julgado com muito mais severidade do que ato de quem agride.
É evidente que todas os seres humanos possuem o mesmo valor intrínseco, mas o princípio da ordem exige que cada um se ponha em seu próprio lugar; é evidente que a justiça deve prevalecer em todas as circunstâncias, mas isso não significa que tudo é a mesma coisa. Se o peso das responsabilidades é diferente, como poderão ser iguais os direitos? Quem deveria ter cuidado com o que diz ou faz: O réu ou o juiz? O filho ou o pai? O aluno ou o professor? O empregado ou o patrão?
Eu estive pensando em tudo isso e me dei conta que Jesus ensinou que devemos voltar a outra face, andar a segunda milha, perdoar... Contudo, Ele nunca ensinou que devemos ser coniventes com o mal. No plano individual essa professora poderia ter ignorado o fato, mas como representante de uma instituição, ela tinha o dever de agir. Ela se excedeu? Parece que sim, mas pior teria sido a sua omissão.
Prezado leitor: Se você está numa posição de autoridade, seja qual for, ame, pois o amor é o poder que finalmente legitima toda autoridade. Saiba porém que o amor não é cego, nem surdo, nem mudo.
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
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