| BOM MESTRE? | 24/06/2009 | Imprimir | Pr.Armando Paulo Castoldi
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Há poucos dias atrás parei para conversar com uma amiga que estava “curtindo o sol da manhã” em frente à sua loja, nesta cidade. Gosto de conversar com essa senhora, pois além de ser mais velha é uma pessoa amável e de bom senso. Um dia, quando Jesus foi chamado por um certo homem de “Bom Mestre” Ele o repreendeu dizendo: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus” – Lucas 18.19.
Fiz esse pequeno parêntese, pois ia dizer que essa senhora é uma pessoa boa, e então lembrei que, aquilo que para nós é uma pessoa boa pode estar bem longe da realidade.
Assim, nessa penumbra de bem que conhecemos, sendo essa pessoa uma pessoa de bem, nossa conversa girou exatamente em torno desse tema, trazendo as tantas indagações que as pessoas de bem estão se fazendo nestes dias. E ela me fez a seguinte pergunta: “Por que o mal anda tão rápido e por que o bem se esconde tanto?”
Eu tinha a resposta na ponta da língua, o que nem sempre é o melhor. As respostas prontas facilmente se transformam em chavões vazios. Num primeiro momento então eu respondi que o bem se esconde porque o bem compromete. Sempre que alguém se posiciona ao lado do bem; sempre que alguém se torna um defensor do bem, fica comprometido com o seu discurso. Assim, os que “são do bem” se calam, enquanto que aqueles que praticam o mal não estão comprometidos com coisa alguma. Eles não somente falam do mal com toda naturalidade, como também o praticam sem qualquer constrangimento.
E os “bons”? Os bons ficam amarrados na sua própria incoerência. O desastre disso tudo é que no final das contas, se a coerência é um bem, os maus são mais coerentes do que os “bons”, pois eles não se constrangem em praticar aquilo que acreditam, enquanto que os “bons” não tem coragem para tanto. E a coragem? Não seria outra virtude???
Quando Jesus repreendeu aquele homem por sua ignorância em relação ao assunto, evidentemente Ele o fez sabendo que sua concepção a respeito de Jesus era de um simples mestre humano. Em outras palavras talvez Jesus teria dito: “Amigo! Você se deu conta do que está falando? Você já conheceu algum mestre totalmente coerente com seu discurso? Ô Cara! Ainda não caiu a tua ficha?”
Pior: Eu diria que quanto mais “bons” nos julgamos, provavelmente maiores serão as contradições nas quais nos veremos envolvidos. O omitir-se, o esconder-se, o eximir-se, o proteger-se, nada tem de bem. Jesus na verdade podia ter simplesmente aceito o elogio, que era bem merecido, mas como sempre, em sua sabedoria, Ele aproveitou a oportunidade para deixar registrado aquilo que eu e você precisamos admitir para sermos finalmente libertos desse sofisma de procurar o bem onde ele de fato não existe.
Você está confuso? Eu também fiquei confuso quando comecei a pensar nisso, pois entendi que pouco aprendi de humildade e pouco aprendi a respeito do bem. Luto, sim, para sair desse atoleiro de incoerências que é o comportamento humano; luto, sim, para ser um pouco melhor do que a média comum, mas preciso me recolher à minha insignificância diante do bem absoluto. Estou muito longe disso, pois também não tenho coragem de falar tudo aquilo que sei que é certo e, muitas vezes me sinto incapaz de assumir algumas bandeiras, pelo alto custo de suas conseqüências. É o meu limite! Não sou um bom mestre.
Mas você poderá perguntar: Como então ele preserva a sua integridade? Respondo: Pela graça de Deus; pela cruz de Cristo; pela justiça que provém da fé; pela misericórdia de Deus. É nEle que repousa minha justiça, a minha segurança, a minha paz e a minha autoridade espiritual. Por isso, ouso fazer minhas as palavras do apóstolo Paulo: “Porque não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” – 2 Coríntios 4.5.
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
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