| TU, PORÉM! | 09/06/2009 | Imprimir | Pr.Armando Paulo Castoldi |
Preso em Roma e já antevendo seu martírio, o apóstolo Paulo entende que a Palavra de Deus, que pulsava tão forte em seu coração, precisaria encontrar o mesmo abrigo em outro coração. As cartas são o seu único recurso disponível e seu alvo particular é seu fiel discípulo Timóteo, um jovem que ele conheceu em Listra, uma colônia romana da Licaônia.
Nesta semana entrei com minha esposa em uma loja cosméticos e vi sobre o balcão um grosso livro de Direito Comercial. Tentando estabelecer um diálogo com a balconista, perguntei-lhe se ela teria que estudar tudo aquilo. Ela respondeu em tom de brincadeira: -Sim, parece a Bíblia!
A Bíblia é a Palavra de Deus, mas ela somente produzirá seu efeito se for palavra viva em nosso coração. Não basta tê-la em casa, se a vemos como um grosso e indigesto livro. Ela precisa ser conhecida, amada, vivida e pregada. É dessa perspectiva que Paulo escreve a Timóteo: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo quem que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se a fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” – 2 Timóteo 4.1-5.
O teismo cristão, coloca o Deus revelado nas Escrituras como o centro de todas as coisas. O humanismo secular coloca o homem como centro de todas as coisas. Nem é possível imaginar a distância que existe entre um conceito e outro! Assim, quando o teismo cristão dominava o nosso pensamento, tínhamos valores absolutos fora de nós, que sempre podiam ser invocados quando a sociedade estivesse em crise.
Mas à medida que o humanismo secular vem estabelecendo o homem como centro de todas as coisas, quais são os conceitos que irão prevalecer? Em se tratando de direitos individuais, como julgar qual é o mais importante? Admito que são questionáveis as posições da Igreja Católica, tanto na excomunhão dos médicos que praticaram o aborto numa menina de nove anos, quanto as declarações do Papa, condenando o uso de preservativos diante de uma África devastada pela AIDS. Mas será que a questão não é bem mais ampla e mais complexa do que aparenta ser?
Eu não quero externar minha posição sobre esses fatos específicos, pois a Palavra de Deus me diz que “quem se mete em questão alheia é como aquele que toma pelas orelhas um cão que passa” – Provérbios 26.17. De fato, não me cabe julgar o mérito da excomunhão dos médicos, nem das declarações do Papa, mas me preocupa, sim, a reação das pessoas. O que percebo visivelmente é que já “passamos batidos” da a fronteira entre o teismo cristão e o humanismo secular. Daqui para frente, salve-se quem puder, pois não haverá mais critérios para se julgar o que quer que seja. O pior de tudo, e isso me diz respeito, é que dentro desse contexto, o próprio cristianismo que se diz bíblico, cada vez mais tem cedido à pressão de oferecer aquilo que as pessoas gostam e não o que elas precisam.
Prezado leitor: O que fazer diante desse cenário de caos? Há muitos tempo, compreendi que duas pequenas palavras extraídas do apelo de Paulo a Timóteo poderiam fazer a grande diferença em minha vida: “Tu, porém”! Sim, Paulo estava dizendo a Timóteo que ninguém no mundo poderia determinar a razão pela qual o seu coração iria pulsar. Não importa a direção que o mundo caminha. Eu sou livre e você também é livre para buscar, amar, viver e pregar a sã doutrina. Não há nuvens, por mais espessas que sejam, capazes de impedir que essa luz brilhe em você.
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
|
|