| NA CONTRA-MÃO | 09/06/2009 | Imprimir | Pr.Armando Paulo Castoldi |
Eu tenho falado muitas vezes sobre o contraste entre os valores do Reino de Deus e os pressupostos que o humanismo tem colocado como sendo os valores fundamentais da sociedade. Ao falar humanismo não me refiro às causas humanitárias que visam aliviar o sofrimento das pessoas, como o combate à miséria, epidemias, vítimas de catástrofes e classes desfavorecidas. Falo do humanismo como a filosofia que exalta o homem como senhor absoluto do seu destino e descarta a existência de Deus.
Lembro-me de uma conversa que tive há alguns anos atrás em Porto Alegre, com o namorado de uma amiga minha, um comunista assumido, que por óbvio, também professava ser ateu e evolucionista. Era um homem culto e educado e por isso nossa conversa transcorreu num bom nível. Contudo chegamos num ponto que precisei fazer-lhe uma pergunta óbvia: -Amigo! Se Deus não existe e se não existem valores absolutos, onde vamos buscar as referências para estabelecer nossas próprias leis, especialmente no que se refere à moral e à ética? Sua reposta foi pronta: -Ora, na própria natureza! Respondi: -Na natureza? O que a natureza revela senão a lei da selva? Como vi que ele ficou perturbado, decidi dar o assunto por encerrado, pois a minha própria natureza poderia me preparar uma cilada e dar-lhe margem para que julgasse ter sua teoria confirmada.
O fato é que quando temos como ponto de partida de nossa existência o mundo animal, por maior que tenha sido nossa evolução, nossos referenciais sempre irão apontar para lá. Por outro lado, se temos a Deus como ponto de partida de nossa identidade, ao olharmos para trás, por pior que tenha sido o nosso passado, quer falemos da humanidade como um todo ou de cada um de nós individualmente, no ponto mais remoto sempre iremos encontrar o referencial perfeito, pois nossa origem remonta ao perfeito. Lá na fonte existe o absoluto de todas as coisas que dizem respeito à nossa vida: a moral perfeita, a ética perfeita, a perfeição de identidade, a definição de propósito e a certeza da esperança. Assim, quer olhemos para trás ou para frente, no início e no fim de tudo estará Deus e isso encherá o nosso presente e nosso futuro de sentido e de responsabilidade. No entanto, se nossa origem está no mundo animal, quer olhemos para trás, quer olhemos para frente, nada existirá além de nós mesmos no dia hoje; um hoje sem sentido algum, a não ser a nossa própria sobrevivência e um profundo vazio interior provindo de um passado sem honra e um futuro sem esperança. Misericórdia! Não pode ser assim!!!
Mas, o mundo está assim! Quem teria argumentos para contestar que esta é a realidade mais crua que domina o centro do pensamente de nossa época? É a lei da selva! A lei da selva só conhece um pronome: Eu!
Contudo, para os filhos do Reino, o Filho de Deus propõe outra realidade: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque grande é o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” – Mateus 5. 3-12.
Prezado leitor: Eu já estive na Inglaterra e me pareceu estranho ver os carros rodando na pista da esquerda. Mas lá é assim que se dirige! Agora pense: Não lhe parece lógico que dirigir a vida no Reino de Deus seja exatamente andar na contra-mão do mundo?
JESUS, A OPÇÃO DAVIDA
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