| LIÇÕES DA VIDA | 15/01/2009 | Imprimir | Pr.Armando Paulo Castoldi
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Tenho lembranças muito boas da minha infância e evidentemente muitas delas estão diretamente relacionadas ao meu pai. Ele era do tipo “faz tudo”! Fabricava quase todas as peças da carroça, construía os próprios arados, trançava couro com grande habilidade, fazia cestos de vime, gamelas, vassouras, arreios, empalhava cadeiras, manejava com maestria todo tipo de ferramenta. Pouco comia frutas, mas sabia como ninguém lidar com enxertos de toda espécie. E, tinha sua paixão singular: seu parreiral e seu vinho. Nisso ele era imbatível. Eu nunca mais provei um vinho como aquele que meu pai fazia!
Além de tudo isso, apesar de não ter ido além do curso primário, era um homem culto e bem informado. Sempre mantinha uma assinatura de jornal e disputava comigo os livros que eu retirava da biblioteca da escola. Às vezes tivemos brigas feias por causa disso. Essa talvez foi a única porção da herança que recebi inteira dele: o gosto pela leitura.
Longe de ter a capacidade que ele tinha, me tornei um “enjambrador”. Aprendi a ser criativo na hora da necessidade; aprendi que a maioria das soluções estão na nossa capacidade de adaptar, porém estou muito longe de ter a habilidade que ele tinha para essas coisas. Lembro de sua decepção quando com toda paciência tentava me ensinar a trançar couro. Por mais que me esforçasse, nunca aprendi nada, nem a trança mais simples. Essas habilidades, dentro da minha família, apenas um sobrinho meu herdou.
Tudo isso está passando pela minha mente, porque no clima de ano novo somos levados a pensar no futuro, corrigir rumos, estabelecer metas que nos projetem adiante. Pois exatamente nesse ponto estava a fraqueza de meu pai. Nos últimos anos de sua vida uma frase se tornou comum em seu vocabulário: -“Tudo é ilusão!”.
Parece que todas as habilidades que lhe sobejavam para criar soluções ao seu mundo exterior, lhe faltavam para cuidar das coisas do próprio coração. Com uma grande inteligência mas um corpo fraco para a dura lida da agricultura, visivelmente demonstrava sua frustração por não ter estudado e como dizia, “ter se tornado alguém na vida”. Infelizmente ele deixou que isso criasse raízes muito profundas em seu interior. Por fim, deixou a agricultura e se estabeleceu na cidade como dono de um bar. Ali, na companhia diária dos “desesperados”, os filhos já saindo de casa e fazendo a própria vida, encontrou um ambiente próprio para deixar que o álcool, o cigarro e a falta de perspectiva abreviassem seus dias, falecendo com apenas 54 anos.
Felizmente, nos seus últimos dias, abriu seu coração e entregou-se a Jesus. Quando olho para trás, percebo que falhei muito com ele. Fui insensível e omisso em muitas coisas, mas me consola o fato de ter conhecido a Cristo antes de meu pai partir e poder ter repartido com ele a maior bênção que um ser humano pode adquirir neste mundo: a certeza da salvação eterna.
Mas aqui me vem uma pergunta: Se meu pai tivesse se convertido alguns anos antes, o que teria sido dele? Penso que teria encontrado a cura para sua alma e seu corpo e poderia ainda estar aqui, repartindo sua vida e suas habilidades com muitas pessoas, inclusive com meus próprios filhos, que sequer chegou a conhecer. Muitas vezes lamentei que não tenha sido assim!
Prezado leitor: Mais um ano está começando. Muitos, talvez por motivos bem semelhantes aos de meu pai, estão afundando mais e mais em suas frustrações e irão partir antes do tempo, perdendo o melhor deste mundo e da eternidade, quando a solução é tão simples: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” – Mateus 11.28-30.
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
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