| AMOR RESPONSÁVEL | 22/10/2008 | Imprimir | Pr.Armando Paulo Castoldi |
Tentei nestes últimos dias puxar da memória alguma lembrança de como era o Dia da Criança em minha infância. Parece incrível, mas eu não consegui abrir nenhum arquivo que contivesse alguma informação a respeito. Tenho muitas lembranças claras de outras datas, como Natal e Páscoa, mas nenhuma lembrança desse dia.
No entanto, esse exercício mental me fez considerar a incrível aventura que era ser criança há quarenta anos atrás.
Ser criança na década de 50 e 60 especialmente no interior, era estar em absoluta desvantagem do mundo adulto, pois o mundo de então, era o mundo dos adultos. Precisávamos ir penetrando aos poucos nesse mundo, sem concessões. Nosso grande desafio era adquirir força para abrir espaços.
Nosso viver diário causaria arrepios à Comissão de Direitos Humanos, pois precisávamos carregar água com os mesmos baldes que os adultos usavam, limpar os chiqueiros e estrebarias com a mesma pá que os adultos usavam, cortar lenha com o mesmo machado que os adultos usavam, cuidar dos animais enormes e muitas vezes perigosos, que caprichosamente resistiam aos nossos comandos. Quem não viveu essa realidade nem imagina o que é para uma criança limpar o chiqueiro de um porco brabo, sair atrás de um boi que pulou a cerca, ou pegar um cavalo na invernada.
Lembro também que muitas vezes eu olhava com inveja para a grossa couraça que se formara na sola dos pés do meu pai. Se eu a tivesse também certamente os espinhos e pedras não iriam parecer tão doloridos. “Tropicar”, naquela época, era uma palavra bem mais significativa do que hoje! Alguma criança de hoje sabe o que é perder a “tampa” do dedão do pé?
Brincávamos? Sim! Mas eram aquelas horinhas roubadas depois do almoço enquanto a mãe lavava a louça e o pai descansava, ou eram os sábados à tarde, depois que o trato para os animais estava garantido ou, eram nos domingos à tarde, até o pôr do sol, pois os animais precisavam comer.
Vivíamos em função dos animais? Praticamente sim! Eles representavam o nosso sustento e nós o deles. Uma troca justa, uma simbiose que tornava possível a vida de ambos - até certo ponto, é lógico, pois na hora do aperto eles é que eram sacrificados. Quanto o porco era morto, nós fazíamos a festa. Isso as crianças de hoje não conseguirão entender!
Mas, na crueza desse mundo, as leis da vida eram mais claras e as dificuldades pelas quais tínhamos que passar despertavam em nós dois desejos básicos: brincar e crescer. Sim, nas poucas horas de folga, conseguíamos ser absolutamente crianças e, nas que não podíamos brincar, sabíamos que era também nossa responsabilidade forjar o corpo, a alma e o espírito para encarar sem medo os desafios do mundo adulto que estava por vir.
Prezado leitor: Não ouso dizer que aqueles dias eram melhores, mas vejo que alguma coisa se perdeu. Ao olhar para as crianças de hoje, encontro uma geração enfastiada com a vida, sem desejo de brincar e sem desejo de crescer. O mundo adulto já não as desafia e o mundo infantil já não as satisfaz, pois não foram ensinadas que tudo na vida tem um tempo e também um preço correspondente.
Não é de estranhar que nesse vácuo existencial, criado por um amor irresponsável que imaginou ser possível remover a dor do existir, as drogas, a imoralidade sexual e a violência tenham se encaixado tão perfeitamente.
Então, se você é pai, mãe, avô, avó; se você enfim tem crianças debaixo de sua responsabilidade, neste dia especial tenho apenas um conselho para lhe dar: Ame com responsabilidade!
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
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