Quero transcrever aqui uma das mais impressionantes histórias da Bíblia: “Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade. Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico, procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura. Então, correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque por ali havia de passar. Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa. Ele desceu cheio de alegria. Mas os que viram isto murmuravam, dizendo que ele se hospedara com homem pecador. Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar o perdido” – Marcos 19.1-10.
Não é difícil recriar esse cenário em nossa imaginação: Uma cidade pacata, um povo simples, os dias transcorrendo sem grandes novidades e, de repente, uma notícia bombástica: Jesus, aquele estranho personagem que entrara como uma avalanche no contexto religioso de Israel, estava entrando em Jericó. Assim que a notícia vai se espalhando de boca em boca – sim, porque não havia outro meio de comunicação, uma enorme agitação começa a tomar conta de Jericó. Mulheres tiram os tições do fogo para que a comida não se queime, crianças esquecem suas brincadeiras, trabalhadores largam suas ferramentas, animais esquecidos pela agitação de seus donos se misturam à multidão e, todos correm para alcançar um lugar privilegiado nas arquibancadas que vão se improvisando à margem das ruas empoeiradas de Jericó.
Zaqueu, no seu posto de coletoria, enfia na bolsa apressadamente o dinheiro já arrecadado naquele dia e começa a irromper no meio da multidão, pois havia em seu coração uma determinação clara: Ele queria ver quem era Jesus!
Mas, Zaqueu tinha um problema. Aliás, esse deveria ser o seu grande dilema existencial; aquela coisa renitente que nunca sai da nossa cabeça, aquele incômodo complexo de inferioridade que acaba se mostrando mais real exatamente no momento menos adequado. Parece mesmo que o diabo consegue nos cutucar com mais força nessas horas. E lá estava Zaqueu novamente às voltas com sua incômoda estatura. Nesse momento, Zaqueu poderia simplesmente aceitar seu destino, assumir sua derrota e depois, quando Jesus tivesse enfim passado, perguntar a algum curioso, que por sua estatura privilegiada conseguira um lugar na primeira fila. A resposta desse curioso provavelmente teria sido: Não esquenta Zaqueu! Jesus não é tudo isso que dizem!
Não! Zaqueu estava determinado. Ele queria ver com os seus próprios olhos quem era Jesus. Então, numa atitude de quem não está nem ligando para a torcida, “um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico”, sai correndo como um menino adiante da multidão que se espreme e, infantilmente, ante dos olhos de todos, sobe numa árvore - uma daquelas figueiras nativas frondosas que costumam dar sombra aos caminhantes. Ridículo? Sim! Mas ali, naquela posição estranha para um homem do seu nível social, os seus olhos podiam finalmente ver quem era Jesus. A história poderia ter outro final? Em se tratando de Jesus, é lógico que não!
Prezado leitor: Quando você está em busca de algo importante, nunca pergunte a um curioso. Os curiosos podem ocupar a primeira fila nos grandes acontecimentos, mas eles nunca conseguirão captar a essência de nada, pois os seus corações não buscam respostas. Por isso, se você quer saber quem é Jesus, vá e veja você mesmo, ainda que para isso, aos olhos da multidão, você possa parecer ridículo.
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
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