| NATAL EFÊMERO | 19/12/2007 | Imprimir | | Pr. Armando Paulo Castoldi |
É muito antipático ser crítico nesta época. Afinal, quem seria perdoado se viesse quebrar no coração de alguém o espírito do Natal? Não há como negar: Há um clima de animação no ar, uma sensação gostosa, uma alegria e uma bondade que parecem emanar naturalmente das pessoas. Por isso tentarei me conter, ou ser sutil, ao menos!
( Você já deve ter ouvido aquela piada do padre que manifestava constantemente do púlpito, a sua repulsa aos castelhanos. Pois bem! Conta-se que como castigo, foi o dito padre transferido para a fronteira com a Argentina e expressamente proibido de extravasar seus sentimentos xenofóbicos. Foi assim, que na missa da sexta-feira da paixão, passou a descrever aos fiéis a última ceia. E lá ia ele em sua narrativa: “Então Jesus, lança como um raio fulminante sobre os seus discípulos a sentença: Um dentre vós me trairá. Os discípulos, muitíssimos contristados começaram um por um a perguntar: Porventura sou eu, Senhor? Então, finalmente Judas, que o traía, também se levanta e pergunta: “Acaso seré yo, Señor?”)
Hoje, dia 18 de dezembro de 2007, mais ou menos às 11:00 horas da manhã, andando pelo centro da cidade, me achei pensando em tudo isso: Ora, como dizer que o clima do Natal não é bom, se as pessoas me cumprimentam sorrindo? Como dizer que o clima do Natal não é bom, se a cidade está toda enfeitada? Como dizer que o clima do Natal não é bom, se posso ver a alegria saltar dos olhos das crianças? Como dizer que o clima do Natal não é bom, se vejo andando por minha cidade amigos distantes que há muito tempo não via? Como dizer que o clima do Natal não é bom se muitos casais separados irão sentar-se juntos à mesa com seus filhos? Como dizer que o clima de Natal não é bom se muitos patrões irão vestir um avental e preparar uma refeição aos seus empregados? Como dizer que o clima de Natal não é bom se as Igrejas vão ficar abarrotadas de pessoas? Como dizer que o Natal não é bom se até eu mesmo me acho sonhando com presentes? Ora, isso seria de fato uma grande injustiça!
Mas então, o que acaba me fazendo parecer com aquele padre incontido? É que existem outras realidades que passam pela minha cabeça; algumas perguntas que não posso deixar de fazer; alguns sentimentos que não posso deixar de expressar.
Ora, se o clima de Natal é tão bom, por que não implantá-lo definitivamente em nosso modo de viver? Por que não sermos tão plenos de bondade, justiça e generosidade o ano todo? Não seria muito melhor para todos nós? No entanto, passado o Natal, a absolta maioria retorna muito rapidamente à mesma rotina de sempre. Onde estaria a grande razão dessa contradição?
Eu vou falar! Mas, por respeito às coisas boas que o clima do Natal proporciona, não quero extravasar tudo o que sinto; não quero falar do “buen viejito” e outras tantas coisas que me vêem à mente. Quero apenas falar do que é feito com verdadeiro dono do Natal. Ali é que se encontra a grande razão: Jesus é apenas uma criancinha! Nada nele assunta ou compromete. Contemplando-o ali, na manjedoura; na bucólica cena do presépio, a breve “viagem” do Natal é serena e sem solavancos. É isso! Tudo não passa de “um clima”!
Mas aquele que não quisesse viver um Natal efêmero, teria que conviver com o Jesus que cresceu e que endureceu o semblante; precisaria conviver com o Jesus que não está mais envolto em faixas, nem no colo de Maria; precisaria encarar o fato que não poderia mais dirigir-se a Ele dizendo: “Minha frágil criancinha” e sim, “Meu poderoso Senhor”!
Prezado leitor: É este Natal que quero convidá-lo a viver, embora, sejamos sinceros, a grande maioria prefere receber apenas o Jesus menino e despedi-lo o quanto antes. Deixá-lo crescer, poderia se tornar muito arriscado!
F E L I Z N A T A L !
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
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