| IDENTIDADE | 14/11/2007 | Imprimir | Pr.Armando Paulo Castoldi
|
Muitas vezes ao perceber comportamentos inconvenientes e destrutivos, costumo aquietar meu coração considerando que essa pessoa, cujas atitudes me confrontam, poderia ter sido ou poderá vir a ser alguém completamente diferente. Trabalhando muitos anos e em diferentes comarcas como Oficial de Justiça, vivi experiências que são privilégio de poucos. Quantas vezes precisei andar pelo meio das favelas, pisando em todo tipo de sujeira para encontrar uma pessoa que estava envolvida em alguma questão com a lei. Esse exercício muitas vezes me levava a imaginar como teria sido a minha própria história se estivesse no lugar delas.
De fato, se determinadas circunstâncias tivessem sido outras; se as reações e decisões tivessem sido outras; se as informações recebidas tivessem sido outras, ainda que tivéssemos o mesmo corpo e o mesmo nome, quase tudo em todos nós poderia ser diferente: a postura do corpo, a expressão do rosto, o brilho do olhar, o vocabulário, o tom da voz, o grau de envelhecimento e até mesmo o peso e as medidas.
É mais fácil, quando conhecemos o lado obscuro da sociedade constatar a força das circunstâncias sobre identidade das pessoas. Em muitas oportunidades não tive qualquer dúvida que certas “figuras” que conheci não nasceram para ser assim. Mas seriam somente essas pessoas que deveriam ser diferentes? Não estamos todos muito longe daquilo que deveríamos ser?
Quando vivemos no mundo “civilizado” temos a falsa ilusão de que tudo está em ordem e que as identidades estão perfeitas. O esgoto que se mostra a céu aberto na favela, está bem mais disfarçado numa rua pavimentada. Mas isso o torna menos real?
Um dia, antes mesmo de me tornar Oficial de Justiça, uma palavra abalou minha pretensa segurança: “porque todos pecaram e carecem da glória de Deus” – Rm 3.23.
Ali estava a questão: minhas circunstâncias ou minhas escolhas haviam me tornado talvez um pouco menos ruim; meu grau de civilidade me permitia talvez disfarçar melhor meu lado obscuro. Mas se eu ousasse perguntar pelo padrão de Deus, qual deveria ser a minha verdadeira identidade?
Minha conversão é uma história longa e dificilmente teria acontecido se alguém não tivesse me levado a refletir seriamente que se Deus de fato existia, eu deveria começar a procurar o meu lugar no Seu plano. Assim, já não importava qual tinha sido a minha história, nem resolveria tentar me comparar com alguém que estivesse acima ou abaixo. Se Deus tinha um plano para mim, eu precisaria descobri-Lo, precisaria encontrar minha verdadeira identidade. Jesus fala do perigo de passarmos a vida remendando uma roupa velha, tentando mudar alguma coisa, mas nunca mudando realmente. A conversão exige um novo começo, uma decisão que muda a substância:“ Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no Seu nome; os quais não nasceram da vontade do homem, mas de Deus” – João 1.12-13.
Agora, quando vejo o desespero ou a maldade estampada na face das pessoas, eu sei que ali não está a verdadeira identidade. Circunstâncias formaram aquela imagem, mas Jesus pode mudar tudo: “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram e tudo se fez novo”- 2 Coríntios. 5.17.
Prezado leitor: um dia Jesus surpreendeu um homem chamado Nicodemos com a seguinte afirmação: “ em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo não poderá ver o reino de Deus” – João 3.3. É somente ali, no Reino de Deus, que eu e você poderemos encontrar nossa verdadeira identidade!
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
|
|