| A SÍNDROME DO PAPAI NOEL | 18/12/2009 | Imprimir | Pr.Armando Paulo Castoldi |
Como já morei em várias cidades diferentes, entre as tantas características de cada lugar, descobri que também em cada lugar há um modo diferente de dirigir. Me chateia muito aqui em Encantado, duas coisas: Quando um motorista vai ingressar numa esquina de mão dupla, ao invés de avançar até o ponto onde possa fazer a manobra e tomar a pista da direita, ele simplesmente corta caminho e avança pela conta-mão. Por isso, aqui em Encantado, sempre que paramos numa esquina precisamos ficar um pouco recuados para que alguém não dê de frente conosco, mesmo com o nosso carro parado. A outra questão preocupante, diz respeito às faixas de segurança. Infelizmente as faixas de segurança para pedestres, de segurança têm muito pouco. A grande maioria dos motoristas nem liga pra você e, se você insistir em atravessá-las, correrá o risco de ser atropelado.
Às vezes fico impressionado com a atitude que algumas pessoas manifestam quando respeitamos esse direito. Alguns ficam visivelmente espantados e outros, agradecem, às vezes até efusivamente, como se estivéssemos fazendo um grande favor. Por ser distraído, já me vi também infringindo essa regra de trânsito, porém, sempre que estou atento procuro observá-la.
Nesta semana estava me deslocando pela rua Antônio de Conto, na direção Centro-Bairro, aí pelas 15:00 horas, quando três crianças esperavam para atravessar a rua. Mesmo não havendo faixa de segurança no local, parei e fiz sinal para que atravessassem. Confesso que fiquei impactado com a reação delas: Com a boca nas orelhas, polegar erguido em sinal de positivo e dizendo “valeu tio”, levaram um “tempão” para atravessar a rua, parecendo não saber como me agradecer.
Comecei a sorrir e rir ao mesmo tempo. Me senti herói naquele momento. Acho que fui algo assim para eles e, entretanto, era apenas um gesto simples, uma atitude normal que qualquer cidadão deveria ter numa circunstância assim. Na verdade, nada mais do que a obrigação. Porém um pensamento me ocorreu: Elas não estão acostumadas a ser tratados desse modo. Eis é a questão!
É lógico que isso me fez pensar um pouco adiante e considerar as causas da crescente onda de violência, rebeldia, promiscuidade e vício entre nossas crianças, adolescentes e jovens. Onde estavam os pais ou responsáveis por essas crianças que vagavam pela rua àquela hora da tarde? Elas teriam a atenção necessária em casa? Seriam tratadas com a dignidade que mereciam? Elas tiveram aquela reação por serem crianças bem educadas, ou simplesmente por terem se sentido importantes com minha atitude?
Se estou certo, a última hipótese é mais provável e isso me fez pensar no seguinte: Essas três crianças ainda não foram “estragadas”. Talvez sofram, mas ainda respondem afirmativamente a um gesto de amor e carinho; elas ainda sabem sorrir e agradecer; seus corações ainda estão abertos para o bem. Mas pergunto: Até quando resistirão???
Prezado leitor: Temos uma imensa geração de órfãos! Sim, pois há uma voz compulsiva gritando de todos os lados: Trabalhe,trabalhe, trabalhe, até que suas aparições em casa sejam cada vez mais raras e uma máscara em seu rosto comece a fazer com que seus filhos já não sintam segurança sobre sua verdadeira identidade. Quando isso acontecer, para tentar preservar as aparências, entulhe a vida deles com presentes. É a “Síndrome do Papai Noel”!
Sinceramente ou gostaria que tudo isso fosse mera abstração de quem enfim, precisa escrever algo. Mas se você de alguma forma se percebe envolvido nessa síndrome, cuide para não ser atropelado. Exorcize esse espírito de engano que quer lhe roubar a maior bênção deste mundo, a sua família. Deixe Jesus tomar o rumo de sua vida, para que neste Natal, sua presença ainda possa ser o grande presente àqueles que por direito esperam algo de você. E tudo isso também serve de advertência para mim!!!
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!!!
|
|