| NOSSO TEMPO | 10/12/2009 | Imprimir | Pr.Armando Paulo Castoldi
|
Há marcas em nosso coração, tão naturais como é da nossa natureza andar com o corpo ereto ou simplesmente viver em sociedade. Por isso, o ser humano somente pode “dar certo” se sua conduta seguir determinadas normas. Para que o homem sobreviva com tal, para que permaneça na dignidade de sua posição, terá que continuar manifestando certos atributos, sem os quais ele já nem deveria mais ser definido como humano. Decaído de sua posição de domínio legítimo quer sobre a natureza, quer sobre a máquina, restará alguma caricatura, algum vestígio, mas não muito mais do que isso.
O grau de dignidade que reside em nosso ser determina também o grau da depravação que podemos alcançar. Se fôssemos meros animais não poderíamos descer tanto quanto descemos. Portanto, quem não discerne a dignidade de sua posição, desce nos níveis mais baixos de corrupção sem sequer dar-se conta do alto preço que cobra de si mesmo e da sociedade na qual está inserido. Essa é talvez a característica mais marcante da nossa época: Estamos perdendo a consciência de nós mesmos.
Essa constatação não necessita de algum parâmetro religioso. Não! Há um grau de responsabilidade que é inerente à natureza humana, ainda que alguém de fato creia que tenhamos evoluído dos animais. Sim, pois na sua própria semântica a palavra evolução define a passagem de um estágio de consciência elementar para um estágio mais avançado, que permite, muito além do instinto, o discernimento de padrões morais.
Como homem é isso que eu sou. Não posso discutir com essa questão, pois ela é maior do que eu. Para poder continuar me definindo como humano terei que assumir as implicações morais que essa condição me impõe. O “não ser” é uma impossibilidade absoluta para mim. O próprio suicídio não é uma saída, pois ainda que eu me suicidasse deixaria um rastro, uma sombra, uma lembrança que iria falar de alguém que concretamente existiu como ser humano e que tentou desistir de ser. Este conflito é real e quem tentar ignorá-lo fatalmente sucumbirá.
É dessa armadilha que eu quero falar. Ora, a porta de saída para esse conflito, do mesmo modo como pareceu plausível no Jardim do Éden, aparenta ser simples e indolor: A fuga para fora da nossa própria natureza. Esta é a saída da pós-modernidade; este tempo que estamos vivendo, onde nos permitimos todas as coisas na ilusão de que quando todos agirem assim, não teremos mais que prestar contas a ninguém. Mas essa saída é possível? Não! Felizmente não, pois é apenas outra forma de suicídio. Aliás, ela é infinitamente mais cruel, pois ao invés de interromper bruscamente um ser que se desfragmenta, consegue extinguir de forma lenta e inexorável todas as marcas da humanidade. No suicídio convencional resta sempre uma questão não respondida, um voto de confiança ao que se foi: Talvez uma fraqueza, um acesso de loucura, um momento de desespero. Mas nesse caso não. Ali a podridão é exposta e renitente. Há uma decomposição progressiva que espalha um horrível cheiro de morte no ar. Quantos homens e mulheres estão assim se decompondo em sua humanidade à vista dos próprios cônjuges, filhos e da sociedade? Sim, infelizmente há um horrível e crescente cheiro de podridão infectando os ares. Será que somente eles não o percebem?
O pecado é pecado, em primeiro lugar por que agride o Criador. Mas ainda que não tivéssemos esse discernimento ou rejeitássemos esse conceito, o pecado seria pecado simplesmente por agredir a nossa humanidade. Se o adúltero, pelo prazer de trair decidir negar a dor da própria consciência e a dor de ser traído, o que restará de sua humanidade? Pouco ou nada, pois os dois grandes pilares que sustentam a humanidade se chamam amor e responsabilidade. Por isso está escrito: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros” – Hebreus. 13.4.
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
|
|